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Haitiano tenta chegar a SP após ser deixado por companhia aérea no AM

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O montador de móveis Marckens Vikygellin, de 25 anos, afirma que tenta viajar de Porto Príncipe para São Paulo há quase 20 dias. Ele é um dos mais de 150 haitianos prejudicados por cancelamentos em voos da empresa Insel Air, única companhia que faz a rota do Haiti para o Brasil. O grupo realizou um protesto na noite de quinta-feira (2) após ser retirado de hotéis e se abrigar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na Zona Oeste de Manaus. “Corro risco de perder meu emprego”, lamenta Vikygellin.

Os haitianos que aguardam por voos no aeroporto de Manaus dizem não ter para onde ir depois que a empresa fechou a conta do hotel onde estavam hospedados à espera de remanejamento para outros voos. A reportagem tentou contato com a empresa por e-mail e telefone, e ainda aguarda posicionamento sobre o caso.

Vikygellin conta que viajou para o Haiti no dia 22 de dezembro para passar o Natal com a família. Ele diz que estava longe do filho, de 4 anos, há dois anos e seis meses. Mesmo com a passagem de volta para o Brasil marcada para o dia 16 de fevereiro, ele só conseguiu chegar a Manaus dez dias depois.

“A empresa é muito bagunçada, cheguei no aeroporto para pegar o voo e disseram que não dava para vir naquele dia, que era pra eu voltar para casa que eles iam me ligar. Eu tinha passagem comprada pra ir dia 16 [de fevereiro] de Manaus para São Paulo e perdi porque não consegui sair do Haiti”, explica o haitiano.

Junto com o montador, cerca de 150 haitianos chegaram a ficar hospedados em dois hotéis de Manaus pagos pela companhia aérea. Os passageiros tinham como destino final as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Haitanos foram deixados no aeroporto depois de serem desepejados de hotéis (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)
Haitanos no aeroporto depois de serem despejados de hotéis (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)

Segundo eles, na noite dessa quinta-feira (2), dois representantes da Insel Air foram até os hotéis e disseram que os imigrantes teriam que ficar no aeroporto pois a empresa não tinha dinheiro para repor as passagens perdidas, nem as estadias nos hotéis.

“Vou ter que comprar outra passagem porque a Insel Air disse que ia me dar outra e não deu. Eu trabalho aqui para mandar dinheiro para meu filho. Se perco meu emprego em São Paulo, como vou poder ajudar minha família? Meu chefe já disse que estou há muito tempo fora e tenho medo do que pode acontecer. Todos aqui só querem chegar no destino e trabalhar, só isso”, afirma o haitiano.

Anac
Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) disse que oficiou a companhia Insel Air para que a empresa preste informações sobre cancelamentos de voo Curaçao/Manaus/Curaçao desde o dia 28 de fevereiro. A Anac confirmou que a empresa fechou o escritório no Aeroporto de Manaus.

“Em território brasileiro, a empresa é obrigada a prestar assistência aos passageiros impactados por atrasos e cancelamentos, tais como direito à comunicação, alimentação e acomodação adequada, bem como reacomodação em outro voo próprio ou de outra companhia”, informou o comunicado.

Ainda de acordo com a nota, a falta de assistência é passível de autuação pela Agência, com aplicação de multa por infração cometida contra cada passageiro. Além disso, a Agência pode aplicar outras sanções à empresa área, de acordo com as irregularidades apontadas.

Grupo espera no aeroporto por não ter para onde ir (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)
Grupo espera no aeroporto por não ter para onde ir (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)

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